Em 2012, eu ainda não imaginava que uma dificuldade que fazia parte da minha rotina de trabalho daria origem ao ConsultaCA.
Naquela época, eu trabalhava em uma consultoria de Saúde e Segurança do Trabalho que também havia iniciado um projeto de comercialização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
A operação estava crescendo. A empresa atendia clientes de medicina ocupacional e, por meio desse relacionamento, também passou a comercializar equipamentos de proteção.
Mas vender EPI era mais complexo do que simplesmente apresentar um produto e fechar um pedido.
O processo era consultivo. Era necessário entender o equipamento, suas características, sua aplicação e, principalmente, verificar se ele atendia às necessidades daquela empresa.
Isso ficou ainda mais evidente durante os processos de homologação de EPI.
Uma empresa precisava avaliar, por exemplo, se determinado calçado, luva ou óculos era adequado para sua operação, se era confortável para o trabalhador, se apresentava a durabilidade esperada e se fazia sentido investir naquele equipamento.
Para isso, era necessário conhecer tecnicamente o produto.
E um dos pontos de partida dessa análise era justamente o Certificado de Aprovação.
O CA permite consultar as características técnicas do equipamento e cruzar essas informações com os riscos identificados na empresa e com os documentos relacionados à atividade.
O problema é que fazer essa consulta nem sempre era simples.
Quando a dificuldade virou uma oportunidade
Na época, eu utilizava o site do Ministério do Trabalho para pesquisar os certificados. O sistema era confiável, mas frequentemente ficava indisponível.
Foi nesse contexto que surgiu uma conversa com Jones, um amigo muito próximo, que havia começado a aprender desenvolvimento de aplicativos para web.
A ideia inicial nem sequer era criar uma empresa.
Era resolver um problema.
Pensando nisso, Jones desenvolveu uma aplicação capaz de consultar esses dados em um banco de informações e, quando testei a ferramenta pela primeira vez, percebi imediatamente o potencial.
Era simples. Era rápido. E resolvia um problema que fazia parte da rotina de quem trabalhava com EPI.
Foi assim que começou a história do ConsultaCA.
Não com um grande plano de negócios.
Mas com uma necessidade prática que precisava ser resolvida.
A ferramenta que começou a chamar atenção
A solução havia sido criada, inicialmente, para facilitar o próprio trabalho.
Mas, conforme comecei a apresentá-la para outras pessoas, ficou claro que aquele problema não era exclusivo da equipe.
Profissionais de Segurança do Trabalho tinham contato constante com a plataforma. Fabricantes também faziam parte desse universo, já que visitavam a empresa para apresentar seus produtos e buscar oportunidades de comercialização.
A reação foi rápida.
Os profissionais que conheciam a ferramenta percebiam imediatamente a diferença: a consulta era mais rápida, simples e objetiva.
Foi nesse momento que comecei a enxergar uma possibilidade além da solução interna.
Talvez ali existisse uma oportunidade de negócio.
Ainda não havia um plano estruturado. Não havia uma empresa desenhada, um modelo de monetização definido ou sequer uma estratégia completa.
Havia uma ferramenta que resolvia um problema real — e pessoas começando a utilizá-la.
A partir daí, começou o trabalho de divulgação.
Passei a utilizar o LinkedIn para apresentar o portal a profissionais da área. Naquele período, a plataforma permitia uma escala de convites muito maior do que atualmente, o que me possibilitou enviar centenas de convites e mensagens por dia apresentando a solução.
O tráfego começou a crescer rapidamente.
Mas ainda faltava uma coisa para transformar aquela ideia em uma empresa.
Quando os fabricantes perceberam o potencial
Um dos primeiros grandes pontos de virada aconteceu quando dois fabricantes que já faziam parte dessa trajetória, Marluvas e Volk, perceberam o potencial da plataforma.
Fabiano Anderson, que na época era diretor da Volk, conheceu a solução e gostou da ideia.
Mais do que isso: decidiu patrocinar o projeto.
Pouco depois, Rose, representante da Marluvas na época, também apresentou a plataforma para Gisara, ligada à empresa, e a Marluvas decidiu apoiar a iniciativa.
Foi nesse momento que a percepção começou a mudar.
Até então, havia uma ferramenta que estava crescendo porque resolvia uma necessidade.
A partir daquele apoio, surgiu a percepção de que poderia existir, de fato, um negócio.
E isso aconteceu antes mesmo de existir uma estrutura formal.
Não havia media kit.
Não havia um plano completo.
Não havia sequer um CNPJ.
Havia uma ideia, uma plataforma sendo utilizada por profissionais e dois fabricantes dispostos a apostar naquele projeto.
Quando o crescimento trouxe os primeiros desafios
A partir daí, o objetivo passou a ser ampliar o número de profissionais utilizando a plataforma, validar cada vez mais a solução e aumentar o tráfego.
O crescimento trouxe visibilidade.
E, com a visibilidade, vieram também os primeiros desafios.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu quando eu recebi uma ligação de um diretor da MSA, fabricante de equipamentos de proteção.
A pergunta era direta: com que autorização o portal estava disponibilizando as informações da MSA?
A situação poderia ter sido encarada como uma ameaça ao projeto.
Mas eu enxerguei a questão de outra maneira.
Naquele momento, eu acreditava que o serviço tinha uma finalidade legítima: facilitar o acesso dos profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho a informações importantes para sua rotina.
A equipe ainda não tinha nem sequer uma empresa formalizada. Era uma ideia que estava crescendo e começava a ganhar relevância.
Mesmo diante da resistência, nós decidimos continuar.
Quando o mercado começou a responder
O episódio com a MSA acabou se tornando simbólico para a história do ConsultaCA.
Durante algum tempo, o diretor da MSA continuou receoso e chegou a pedir algumas vezes que determinadas informações fossem retiradas da plataforma.
Mas havia algo que começava a ser difícil de ignorar: os próprios clientes da MSA estavam chegando até a empresa falando sobre o ConsultaCA.
A plataforma já estava sendo utilizada pelo mercado.
O que começou como uma ferramenta criada para facilitar uma atividade específica havia se transformado em um ponto de contato entre profissionais e informações sobre EPIs.
Depois de algum tempo, o próprio diretor da MSA convidou a equipe para uma conversa.
A relação, que começou com desconfiança, acabou se transformando em uma aproximação positiva.
Esse momento representa uma mudança importante na história.
O ConsultaCA já não era apenas uma ideia que parecia promissora para seus criadores.
O mercado estava demonstrando, na prática, que precisava daquela solução.
Uma solução criada para facilitar o trabalho de quem cuida da segurança
A história do ConsultaCA começou com uma dificuldade bastante específica: encontrar informações sobre CAs de maneira rápida e prática.
Mas o que fez a plataforma crescer foi algo maior.
Ela nasceu dentro da realidade de quem trabalhava com EPI.
Eu vivenciava os desafios da homologação, da venda consultiva e da necessidade de conhecer tecnicamente os equipamentos. Jones trouxe a tecnologia necessária para transformar uma dificuldade em uma ferramenta. E profissionais e fabricantes ajudaram a validar a solução à medida que passaram a utilizá-la.
Essa combinação foi fundamental.
A tecnologia resolveu o problema, mas foi a necessidade real do mercado que deu sentido à tecnologia.
O que essa história diz sobre o ConsultaCA
É fácil olhar para uma plataforma consolidada e imaginar que ela começou com um grande planejamento.
A história do ConsultaCA mostra justamente o contrário.
Antes de existir uma empresa estruturada, existia um problema.
Antes de existir um modelo de negócio, existia uma ferramenta.
Antes de existir uma estratégia de crescimento, existiam profissionais utilizando a solução e dizendo, na prática, que aquilo tornava seu trabalho mais simples.
Foi a partir da combinação de conhecimento do mercado, tecnologia e uma necessidade real que o ConsultaCA começou a ganhar forma.
E talvez essa seja uma das partes mais importantes dessa história.
No caso do ConsultaCA, tudo começou com uma pergunta bastante prática: como tornar mais simples e rápido o acesso às informações que os profissionais de SST precisam para trabalhar com EPI?
Em 2012, eu estava tentando resolver um problema da minha rotina. Não imaginava que aquela solução acabaria dando origem a uma empresa. E que aquele problema do dia a dia seria o começo de uma história que continua sendo construída até hoje.